Monday, January 22, 2007

Uma pergunta... algumas respostas.

O simples fato de ir embora me arrepiou.
Eu não tinha planejado voltar em janeiro. Eu não queria voltar em janeiro e pra dizer bem a verdade eu não podia voltar em janeiro.
Dinheiro a mais, dinheiro a menos. No fim a gente sempre tem algum prejuízo alí, prejuízo aqui. Nada que a gente não consiga reverter depois.
Sentada no ônibus, pensando que seria a ultima vez que faria aquele caminho, vi minha vida passar como um filme (ai que clichêêê) e senti na pele o que eu não queria para mim naquele momento.
Decidi ficar.
A mão na minha mão, me ajudou a decidir. Foi bom sentir que tinha apoio. Que tinha alguém pra me ajudar.
Ao decidir que ficaria, decidi algumas outras coisas.
Eu me lembro que disse pra mais de uma pessoa que perguntou, qdo vc volta?, que voltaria apenas quando tivesse atingido todos os meus objetivos aqui. Muitos deles profissionais, e muitos outros pessoais. No momento, espero os profissionais se realizarem e enquanto isso resolvi correr atrás dos pessoais.
Tinha por um instante esquecido o que vim buscar. Só vi na minha frente a saudade e a vontade de tomar uma cerveja com minhas amigas, dançar um forró e comer pizza com o meu pai. Esqueci de tudo o que passei pra chegar até aqui. Confesso, na verdade, que não foi nada difícil, pelo contrário, tudo ocorreu tão smoothly, que sempre tive a certeza de que estava no caminho certo.
Algumas vozes me disseram que eu deveria voltar. Vozes reais, vozes da minha cabeça. Mas ao decidir que deveria ficar, nenhuma voz mais falou. Meu coração calou, e aquele entendimento do coração, da cabeça e da alma enfim aconteceu.
A semana depois da decisão.
Primeiro dia de trabalho após optar por ficar.
Café vazio, nada pra fazer, eu andando de mesa em mesa pra arrumar alguma coisa pra limpar, essas coisas de quem não quer encostar no balcão logo de cara. Resolvi ir pra cozinha fazer companhia ao Mark, cozinheiro em treinamento que logo de comecinho eu achava que era brasileiro.
O Mark tem um inglês muito bom, mas pra mim não é canadense. Ainda não perguntei de onde ele é, pois isso tiraria toda a graça dos meus pensamentos que tentam adivinhar de onde aquele ser engraçado, simpático e diferente vêm.
Ele está sempre de bom-humor, pergunta se eu estou bem, e sempre têm algum comentário pra fazer sobre as comidas, o horário, o tempo, a temperatura. Ele sabe muito bem onde fica o Brasil, sabe que falamos português e pasmem sabe que a capital não é o Rio de Janeiro ou São Paulo. ( diz ele que lembra do filme "Eu ainda sei o que vcs fizeram no verão passado".)
Enfim, Mark é um sujeito bem legal.
Na cozinha com ele, alguns minutos de silêncio ele me pergunta:
- Alline, Are you happy?
- Alline, vc é feliz?
Naquele momento foi estranho. Na hora eu respondi - Yes, I am. And you? E ele respondeu com entusiasmo - Yes, Of course I am!
Depois disso resolvi abandoná-lo e ficar com os meus pensamentos.
Alí, sentada na janela do café, olhando a chuva cair e acabar com a pouca neve que ainda restava nas árvores e no chão, refiz a pergunta do Mark.
- Alline, vc é feliz?
Por um momento, pensei e lembrei de tudo o que eu já havia passado. Das noites em claro no apartamento da Nhu-Guaçu, dos choros silenciosos no banheiro da ESPM, das missas dolorosas da Saúde, das dores de saudade, das dores de aceitação, das dores da solidão. Dos momentos que não tive chão, não tive nada nem ninguém. Momentos que eu jamais desejaria, há ninguém.
E então vi que eu não podia responder outra coisa se não - Sim, eu sou feliz.
Como não ser?
Eu estou no Canadá. - Onde eu queria estar
Eu estou falando inglêso dia todo. - Exatamente o que eu queria.
Eu tenho um namorado. Canadense. Que gosta de mim mais do que eu imaginava que alguem poderia gostar. - Exatamente como nos sonhos meus e da Rita.
Eu tenho um trabalho. - E ganho em dolar!!
Eu tenho um sonho. REALIZADO!! - E não só um, muitos deles!!
Então eu percebi que eu TENHO que ser feliz. Eu tenho que começar a viver aquilo que eu havia proposto à mim mesma. Eu tenho que cumprir o compromisso que fiz com a mulher que quero ser.
Eu tenho que viver impulsionada pelo mais lindo sorriso que mesmo de longe vai me guiar pra sempre, pelas memórias que me confortam, pela alegria que me dá forças e pela esperança que me impulsiona a ir pra frente e a não parar. Nunca.
A pergunta do Mark me trouxe muitas respostas. E mais uma vez meu coração calou. E sorriu.

2 comments:

Anonymous said...

a cada dia, a cada linha, a cada beer, a cada pub eu conheço um pouco mais a menina mulher que mora ai dentro da Alline, parece cliche, mas qdo estah feliz, fico feliz e hoje me fez um bem taoooo grande saber de tantas coisas da sua vida, obrigada por me contar... tem coisas menina "que são só para raros"... estou adorando a minha fase canadense ao lado de um brasileira especial...

[Uma]

Rachel said...

Feliz por saber que ele calou e sorriu!
Te amo!
Sucesso!